Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

A Paixão.


Para Layze.

Ivan Pessoa.

A Paixão É Tudo O Que Queima. Sua Lâmina Fere,
Corta, Cinde O Couro Da Carne Do Corpo Finito,
Esvazia O Conteúdo, A Impura Voz Do Grito,
E Ao Mar, À Lonjura, É Que Transfere.
Transfiro Meu Corpo, A Minha Carne À Sua Lonjura,
A Paixão Me Toma, Sua Alma É A Noite Que Transita,
Enquanto Sustento Com O Peito A Voz Impura,
Meço Com O Olhar A Estrela Mais Próxima de Nós, Infinita.

Sou O Corpo Que Presenta-Se, Não Sou Mais,
Tenho Estes Olhos, Dados, Entrevistos.
Meu Corpo, Este Frágil, Com As Horas, Povoais,
Sou Teu, Faça De Mim A Razão De Tudo Isto,
Entregai Comigo O Corpo À Paixão, Esta Entrega,
Que Nosso Dia Eterno Será, A Hora Preenchida.
Cegai Comigo Esta Lâmina Da Paixão, Esta Faca Cega,
De Tanto Amar Um Ao Outro, O Que Restar Da Vida.

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

A palavra náufraga.




“Cada palavra é vertiginosa, tamanha é sua claridade.”

Octavio Paz

Ivan Pessoa*

Escrever cartas é como apostar. Decerto é como lançar dados, onde sempre se especula. Ciente disso, o velho apostava que pudesse ser lido. Incansável escrevia e arbitrariamente depositava suas impressões em uma garrafa. Insone vagava pela casa de lápis em punho e uma xícara de café a contrapeso. Remetente de palavras que segundo ele revelariam a grande arquitetura do universo, sua armação inteligível, o velho labutava em silêncio como se dormisse. O sono de um velho missivista é como uma vírgula espaçando a pauta com certa hesitação. Certa noite, após ter hesitado entre que palavra transpor e a temperatura do café a sorver, o velho deixou sobre a mesa a página inteiramente em branco. Quebrando a regularidade de muitos anos de labor, o velho dormira maldizendo-se. Inquieto, culpara o universo pela lacuna. Dormiria naquela noite, enfastiado. O velho não entendia, por mais que lhe pesasse a experiência, que como uma carta, o universo tangenciava como um pêndulo entre o excesso e a falta, ponto final e reticência. Por ironia do universo, naquela noite o velho compreenderia a grande fundação cósmica, alicerçada no mistério do laconismo. Sonhara, portanto. No dia seguinte como que iluminado, esforçar-se-ia sobremaneira para dizer muito com poucas palavras, e se pôs a imprimir uma única palavra no centro de cada folha em branco. Munido com qual precisão, passaria a interpretar o espetáculo do universo, desnudando-o com uma única palavra.
As constantes investidas do velho através do rio, repetiam-se com a calma de um ancião. Aqueles que por ali passavam, viam no gesto do velho uma perda de tempo, resultado de seu mise-en-scène. Ainda que chovesse torrencialmente, lá estaria o velho, acompanhado de seu guarda-chuva, encaminhando a garrafa com sua palavra contida, rio afora.
As palavras seguiam desvairadas, entrechocando-se com as pedras, as quedas sinuosas e os abismos. Caso, por um desvio de rota alquebrassem-se ante um monolito, a palavra liberta de sua redoma de vidro, naufragaria através do rio, substancializando-se mar. De posse do mar, a palavra infiltrava-se, escorrendo vazante à semelhança de um peixe.
Enquanto desfazia-se de sua natureza sólida, prenhe de papel, a palavra aos poucos alimentava a fome sedenta de um peixe qualquer, de menor importância.
O velho que elaborava mui paciente na superfície do mundo sua idiossincrasia, não imaginava que no fundo mar, um peixe engasgara-se com o monte de papel, não menos com a palavra, mas, sobretudo, com seu excerto de tinta. A palavra, este fogo líquido, no desaguadouro do oceano manchava qual porção de tinta. A fauna marinha coberta com a quantidade incontável de palavras, engarrafadas, forjava bolhas de ar. Visto de longes, borbulhava.
A camada espessa de palavra, espumava através da praia. Dissolvidas, haja vista a liquidez de suas membranas, as palavras que por ali banhavam a costa, evaporavam. Orgânicas, plasmavam-se céu adentro. O fenômeno remetia a uma aquarela de azul estonteante banhando-se de branco. Indissociáveis, as cores agrupavam-se entremeadas. Lá embaixo, enquanto o céu potencializava-se com palavras, o velho sentia os indícios de sua própria queda. O peito contraia-lhe a respiração indispondo-lhe o juízo. As mãos fraquejaram as últimas palavras, que de súbito macularam a pauta como uma gota de sangue.
O velho perdera a aposta para o papel, borrando-lhe noite adentro. A morte do velho, silenciaria a casa com sua mesa apinhada de papéis e xícaras de café, insones. Aos poucos o céu consentia em pesar, inflando-se. Progressivamente um espetáculo furta-cor tomava de assalto o desencarne do velho, velando-lhe. As cores enamoravam-se como se fossem copular. O que antes era azul e branco, pouco a pouco foi se tornando a cor de um cinza incomum, de ensombrecer. Uma gota desprendeu-se do seio do céu, arriando de súbito. A chuva alcançou a Terra, aliançando o tempo e a eternidade, a palavra e o silêncio.
Por pouco o semblante sereno do velho anularia a intensidade do arco-íris.

Terça-feira, 10 de Março de 2009

Aéreo.


Venha agora,à essa Hora,invadir meu Sono,

destronar Meu Trono,

A Posse de Meus quase Bens.

Se não sabes, sou dono da Aurora, Minha Colônia,

E Minha Vida, é a Mesma da Tua,é a Tua,com tudo que tens.

És a linha divisória de MinhAlma,quando esta Sonha,

E Sonho é todo Teu Olhar,quando tu Vens.


Caminhante, à imponência Suave de uma Heroína,

Rainha da Amazona mais Divina,

que pôde pousar no Coração de Meu Império.

Se não sabes,sou dono da Aurora,Minha Colônia,

e quando de demais paixão visitar Teu Ser Etéreo,

doa-te à Noite Inteira em uma Insônia,

para ver-me no primeiro segundo do Dia,guiando-te um tanto aéreo.

Sábado, 7 de Março de 2009


Recebi este selo do blog as fashionistas e indico os meus 10 blogs preferidos:
Regras:
1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro”.
2- Poste o link do blog que te indicou
3- Indique 10 blogs de sua preferência
4- Avise seus indicados.
5- Publique as regras.
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10- links dos blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.
Só vale se todas as regras acima forem seguidas.

Terça-feira, 3 de Março de 2009

O animal paradoxal.


"O que hoje é um paradoxo para nós, será uma verdade demonstrada para a posteridade." (Denis Diderot).

Ivan Pessoa*

O homem é o único animal capaz de formular paradoxos. No século VI a.c, um certo filósofo cretense de nome Epimênides, teria escrito um poema. São Paulo em sua Epístola a Tito faz uso deste: “os cretenses são sempre mentirosos.” (1,12). Incluindo o próprio Epimênides, o formulador do provérbio? Se o for, o poema está equivocado, pelo simples fato de não dar confiabilidade àquele que o pronuncia, cretense como os demais, todos mentirosos. Ora, o paradoxo envolve um círculo inexpugnável, como se eu me pusesse em dizer: todos os brasileiros são mentirosos. Eu sou brasileiro. Logo, eu sou mentiroso. O paradoxo auxilia-nos a perceber que existem coisas e idéias imponderáveis, que por mais que nos esforcemos, ainda assim algo permanecerá em aberto, como a velha questão: quem criou o homem? Deus. Mas quem criou Deus? Existe um ponto que a razão não alcança, em função de seus limites cognitivos, restando-lhe a complacência. A velha imagem da cobra mordendo o próprio rabo está na tônica daqueles que perguntam exultantes: “quem surgiu primeiro, o homem ou a sociedade?”. Eu mesmo que pergunto, estou em sociedade, consequentemente crio um paradoxo. Uma coisa é certa, o ponto de partida para a efetivação do homem enquanto tal, teria acontecido com a criação da linguagem e a posterior atividade política, como teria alegado Jean-Jacques Rousseau em seu Contrato Social. Por mais impreciso que possa parecer, o surgimento do homem em sociedade, relaciona-se com o exercício da política, uma atividade que dá condições do humano harmonizar-se com os demais semelhantes.
Toda a história do Ocidente é o desdobramento daquele velho conceito grego, que consuma nas assembléias as decisões dos cidadãos atenienses. Na Idade Moderna, a noção clássica de Eclésia e de areópago, como conceitos helênicos representando o espaço reservado às decisões políticas, tendo a palavra como mediação, passa a significar: parlamento, na acepção que vem do francês parlement, extraído etimologicamente do verbo parler (falar). Nos séculos XVI e XVII no apogeu do Absolutismo espanhol, parlamento vincula-se à palavra: palabramiento, com o sentido aproximado de parábola, o que nos dá a entender a peculiaridade e o sentido deste espaço de decisão política. A grande carga semântica que traz a palavra parlamento, nos faz compreender que o sentido mesmo da atividade política é da comunhão arrazoada de argumentos, aliás, do ato articulado do falar, o que nos faz diferenciar-nos dos demais animais da natureza. De posse dessa capacidade inteligível, que lhe faz representar códigos e signos, o ser humano empreende a atividade política no instante em que começa a se compreender como um ser que fala, um homo loquens. Segundo os gregos, haveria uma ordem imanente à esfera pública, que comunicaria o cosmos e a Terra. A isso eles deram o nome de: política, que é senão o lado divino que existe em cada um de nós e que só se externaliza enquanto palavra, diálogo. Fora da vida política, alijando-se da vida pública, o homem seria ou uma besta ou um deus, como teria dito Aristóteles, porque a condição de possibilidade para o ser humano enquanto tal é a publicização de seus anseios, vontades e desagravos.
Ainda me parece insondável bem como a boa parte dos sociólogos contemporâneos, determinar com precisão onde se inicia a sociabilidade do ser humano, sobretudo, em função de estarmos como que entranhados com esta questão, o que gera um reductio ad absurdum. Ora, estou dentro de uma dada sociedade, e ainda assim pretendo precisar a gênese de minha sociabilidade. Encontra-se ai um grande impasse, restando-nos a tácita compreensão de que a partilha de uma dada linguagem com seus respectivos códigos, é o fundamento de qualquer agrupamento social. O indivíduo é o resultado distante de um arranjo social, retroalimentando, quer queira, quer não, sua sobrevida. A defesa liberal é a de que o indivíduo tem antecedência sobre a sociedade, fundando-lhe. Em contrapartida, os marxistas crêem que a vida social, com suas condições objetivas e históricas, preexiste ao indivíduo, configurando-o. Na verdade a vida social é o diálogo que se efetua entre o indivíduo e o Outro, não havendo prevalência de uma variável sobre a outra, mas um intercâmbio.
Por mais que seja de todo impossível precisar, só a política teria condições de atualizar a potência do homem enquanto tal, representando em meio ao paradoxo do ser humano e da sociedade, uma síntese. Animal dotado de certas peculiaridades, o ser humano seria o único capaz de formular paradoxos, e o único capaz de superá-los. Infelizes os galináceos, afinal: quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Cinema.

Ivan Pessoa.

Vi teu ser, quando não supus,

Vi vendo uma película,

um final feliz,

um filme do Godard/ Então ligaram a luz,

e a luz se espalhou feito giz,

riscando, ferindo a manhã.

Teu ser se antecipa e

tudo fica mais azul.

Recorro a outro tom e a cor é vã,

na América do Sul.


Por onde pouco importa,

tu abres a porta, anuncia/

uma manhã, onde tantas outras passarão.

Teu sol é a manhã de um novo dia,

onde renovo as asas astrais

do coração,

que pulsa, uma coisa avulsa

como uma cor qualquer

que desvela a tela da película.

Vi teu ser envolto em cores tão azuis,

que meus olhos roeram a cutícula,

e a tela do cinema me pegou intenso,

como a luz.

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

O fogo líquido.



Vous qui mourez, faites du feu.
(Você que morre, acenda sua chama).


Victor Hugo

Ivan Pessoa


O sol findara. Intenso. Involuntariamente à deriva, a noite abatera-se sobre os tripulantes, acirrando-lhes o fôlego. Não que a atribulação, com sua assustadora bonança, pudesse de súbito sobrepujar a embarcação, todavia a impossibilidade de compreender o episódio causava nos circunstantes a sensação nauseabunda do delírio. Aos poucos se consumia os acepipes com qual ansiedade. Em vão anoitecera, definitivamente. Por mais que o horizonte estivesse nos limites de seus desdobramentos, ainda assim eles estavam medianamente em seu centro.
Impossível contá-los, de um a um. Formavam um único corpo, um corpo inextricável como uma esfera. Como o frio trouxera consigo indícios do desconhecido, eles aproximavam-se aos montes. Por mais que estivessem comungando da mesma dor, aquecendo-se uns aos outros, a respectiva necessidade de cada um, reclamava para si mais coberta, mais calor, em linhas gerais: mais vida. Eles almejavam a vida, a contrapelo da morte, que por ali acobertavam-lhes como a um véu em vias de sufocar.
Como que conjugados, o frio e a noite lançavam lapsos de ventania, causando-lhes respectivamente medo e esperança. Ansiavam a vida por uma razão mais que biológica, entretanto algo conspirava-lhes os bocejos.
A necessidade orgânica da vida, por mais arbitrária que fosse, ocasionava-lhes uma proximidade, que outrora na lida da urbe, parecer-lhes-ia impossível. A presença de um dentre eles, reacendia o velho chavão: é um estranho! Lá fora, no entrechoque dos elevadores, aqueles que lhe viam ali no canto, à espera, distanciavam-se de pronto, com receio de contágio.
A embarcação à deriva, não diferindo do elevador apinhado e imediatamente vazio, tinha por guia o sujeito que horas atrás lhes assombraria absolutamente em função de sua moléstia. Àquela hora, só Ele poderia salvar-lhes, devolvendo-lhes à vida comum dos elevadores.
O infortúnio desconhecido que lhe distanciava dos demais seres humanos, e naquele momento lhe aproximara, causava-lhe algo sui generis. O corpo, este invólucro da alma, personificava-lhe como se à flor da pele, todos os seus poros descamassem. Adaptava-se ao ambiente aclimatando-o em sua pele durante horas, à maneira de um camaleão descoberto. Se chovesse, o corpo progressivamente captava-o em sincronicidade, acolhendo-lhe o escorredouro.
Cada recanto de seu corpo, tomado de um calor irradiante, negava com dessemelhante proporção os assédios gritantes do frio, de tal modo que se sentiu febril de tanta insolação. O dia tinha sido escaldante, assomando-se a isso uma tarde desafiadora. A impressão de ter colocado a tripulação em precipício, depois de ter errado por distração a rota, tomava-lhe as costas e os braços de suor.
Por expiação, purgou sua própria pena em seu corpo, que à proporção que se cientificava que crispava o mar em círculo, estufava em plena pele os abscessos de sol. A tripulação lhe jurou de morte, caso saíssem vivos. A sensação labiríntica de mover-se irresolutamente sem sair do lugar, deu-lhes a impressão de que por mais que por consenso Ele deveria estar morto, ainda assim o seu bel-prazer poderia por chantagem dificultar-lhes o regresso. Só Ele sabe o caminho de volta, diziam aos prantos uns aos outros. Acomodaram-se. Estavam ilhados. Nos elevadores da cidade teriam se visto por acaso, representando a cena com certo desembaraço. Calaram o ânimo. O frio intensificara-se. Alijando-se de reencontrar a rota, restava-lhe a vida, bem mais portentosa que a fuga, este eufemismo da morte. Do seu lado seus pretensos algozes sentaram. Por instinto aperceberam-no detentor de relativa quantidade de calor. A proximidade junto ao corpo do guia, indigno de uma doença desta monta, trouxe-lhes a quietude. Eles entreolharam-se como se sonhassem. O calor eletivo na ponta das mãos, acolhia a todos indistintamente. Aqueles que há pouco tremulavam os queixos, momentaneamente bocejavam uma trégua.
Não se via nada, por mais que a lua se inflasse ensimesmada lá no alto. Ainda que os olhos dele aquecessem intensamente, a noite a despeito, intensificava o frio. Subitamente o calor de seu corpo desfez-se, liquifazendo-se até um congelamento parcial. Dispersando-se progressivamente, tudo começou a escurecer, ainda mais. Cientes de sua morte iminente, no desespero dos descaminhos grassados, empurraram-lhe mar adentro. A lua testemunhara, na exata hora em que eles, à deriva, ultrapassavam o caminho de volta.
Quanto a Ele, dizem que se tornara gotículas minúsculas de chuva.

Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Do colaborador: Pedro Du Bois ( O sonetista recomenda ).


APOSTAS


As apostas

postas sobre a mesa

o peixe

em postas

desfigurado

na resposta

da carne

anteposta

ao gozo

gula

engulo as cartas

repostas à mesa

em desconsolo

consolo da noite

mal dormida

das derrotas

propostas pelo espírito

maligno da ambição

e cobiça

composta pelos anos

perdidos em apostas.


(Pedro Du Bois, em A HORA SUSPENSA)

Do colaborador: Diego Martins ( O sonetista recomenda ).


Encontro com o Rei.


Quando aquela espada embrenhada em sangue
Que era erguida pelo Rei dos exércitos,
Sucumbia-se a fortaleza dos homens,
O Rei se revelou perverso
Com aqueles que não lhe prestaram fidelidade.

Que o vermelho de suas veias caia por terra
E que vosso poder mirabolante veja a ira do Rei,
Aquele que negou lealdade
Suporte agora seu julgamento diante da milícia.

Que o poder do Rei puna todos os injustos,
E que pela espada corra o sangue dos incrédulos,
Sucumbira agora a sua canastrice e sua horripilante face
Tudo em favor da eternidade da milícia.

E o Rei saberá gratificar aos leais,
Fará sobre suas faces laureadas
Cair os louros de sua glória,
Pois a esses a espada não será alvo.

Possa agora o Rei descansar
Em sua glória e eternidade,
Junto aos leais de seu reino.
E que possa aos injustos agonizar na morada de fogo.

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

La nuit.


Quando Me Vem A Noite, Com Seus Passos Soltos,

Dispo Meu Ser Inteiro, Anoiteço Nu, Imenso,

E Deixo Entrar Aberta A Porta, A Noturna Hora, O Silêncio,

Que Afaga O Poeta, Com Seus Olhos Revoltos.

O Poeta Que Abre A Janela, Este Espectador,

Posta-Se Nu Diante A Noite, Este Cinema,

E A Hora Azul Da Noite, Anoitece Seu Poema,

Orvalhando Sua Íntima Flor.


O Jardim Da Noite, Este Oceano A Céu Aberto,

O Viajante Que Parte, Copula Com O Mar Noturno,

O Filho Que Chega, Anuncia-Se Vivo Por Perto,

Enquanto A Lua, Dá-Se Diurética, Por Seu Turno,

Vê-Se Famintos Dividindo Sua Luz, Que Vela.

Estou A Tua Procura, Com Uma Saudade Irremediada,

Quando Muito, Em Teu Atraso Que Não Chega, Vou À Janela,

E Te Vejo, Me Basta Tudo, Essa Luz Tua Enluarada.